"Eddie era garçom substituto em La Ida. Trabalhava quando Whitey, o garçom regular, ficava doente. O que acontecia, diga-se de passagem, com tanta frequencia quanto Whitey julgava que podia fazê-lo impune. Cada vez que Eddie trabalhava, algumas garrafas desapareciam. Era por isso que não podia trabalhar com muita frequencia. De qualquer forma, Whitey até gostava que Eddie o substituísse. Estava convencido, corretamente, que Eddie jamais tentaria ficar no emprego em caráter permanente. A rigor, Eddie não precisava subtrair muitas garrafas. Mantinha um cântaro de um galão debaixo do balcão, com um funil no gargalo. Tudo o que restava nos copos, Eddie despejava pelo funil, antes de lavá-los. Se havia uma discussão ou todos se punham a cantar em La Ida, Eddie despejava pelo funil copos pela metade ou dois terços cheios. Isso também acontecia já bem tarde, quando a camaradagem reinante atingia o seu desfecho lógico. A mistura de bebidas, o ponche resultante que levava para o Palace, era sempre interessante e algumas vezes surpreendente. A mistura de uísque de centeio, cerveja, bourbon, scotch, vinho, rum e gim era a mais constante, mas de vez em quando um freguês diferente pedia um uísque com soda, anisete ou curaçau. Esses pequenos toques davam uma característica marcante ao ponche. Eddie tinha o hábito invariável de despejar um pouco de angostura no cântaro, antes de ir embora. Numa noite boa, o cântaro ficava quase cheio. Era uma fonte de satisfação para ele o fato de ninguém jamais perceber. Eddie havia constatado que um homem pode embrigar-se com meio copo assim como com um copo inteiro, quando está disposto a ficar embrigado" (John Steinbeck - A rua das ilusões perdidas).
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